“Dont tread on me”. Ecos do pré cotas. As Madalenas arrependidas pira

Tea party flagTea party  flag (para quem não conhece, o “Tea Party” é a corrente mais à direita do Partido Republicano norte americano.)

A turma do chá preto e as outras turmas ‘deles’.

(A analogia com a cobra traiçoeira – vocês logo verão – é pertinente e providencial).

Pode ser apenas impressão do tio, mas o que chamarei aqui de “turma do chá preto”, adeptos tardios do anti cotismo racial está se tornando um must na internet, nas redes sociais, na imprensa convencional, nos meios de comunicação em geral.

Sacudiram o bambuzal e espantaram das sombras cobras sapos e lagartos. Impressionante!

O que mais me chama a atenção, impressiona mesmo é que esta onda de anti cotismo racial radical extrapolou até mesmo o nível de reação anterior à aprovação da ação afirmativa pelo STF, como se houvesse uma ‘maioria silenciosa’, enrustida, na espreita se apoiando numa vanguarda dos radicais contando com a força de sua omissão. Um batalhão de ‘joões sem braço’ torcendo contra, na sombra.

E vejam que contradição maravilhosa: Se esta popularidade enrustida do anti cotismo racial tivesse andado às claras, teria sido percebida pelo STF como uma força legítima e poderosa e – ai meu Deus! – teria ameaçado seriamente a aprovação da medida.

Ai! Que mole que deram! Deixaram Ali Kamel e a turma do chá preto à míngua, isolados como cegos em tiroteio. Agora ficam por aí, madalenas arrependidas, chorando pelos cantos, alisando os velhos tijolos do seu muro de lamentações.

Sempre achei – e muita gente acha também – que um dos mais firmes sustentáculos do racismo à brasileira era o seu caráter de ação sub reptícia, solerte, a sua vocação para a dissimulação, aquela caraterística que os politicamente corretos chamam de ‘sutileza‘ (‘racismo sutil‘, por suposto)

Feito pata de elefante, sabem como é?

Aqui, antes da decisão do STF os racistas todos eram uns gatos pardos pingados. Na verdade, ‘NINGUÉM‘ era racista, ‘ninguém‘ colaborava, ‘ninguém‘ compactuava, apoiava ideias racistas, mas ele, o racismo, misteriosamente prosperava, recrudescia, ardendo cada vez mais na pele daqueles que a ele estavam e estão expostos.

Mistério revelado: É que agia na sombra, a ‘maioria’.

Saindo das sombras então, as Madalenas arrependidas agora acenam com a inutilidade das cotas raciais, para eles uma demagógica e inócua decisão, dizendo que o universo de beneficiados será tão ínfimo, tão ínfimo (entre 200.000 a 400.000) que a ação não fará nem cosquinha em nossa abissal desigualdade educacional.

Sei…sei. É como aquela fábula da raposa, ressentida por não ter conseguido as uvas, que dizia:

_ “Ah…Estão verdes!”

É que eles não conhecem – na verdade temem – a exponencialidade,  o poder multiplicador de medidas como esta. Se a taxa de negros nas universidades públicas era perto do zero antes das cotas raciais, claro que é formidável pular agora para centenas de milhares.

Infelizmente para eles a caravana passou.

Aliás, cá entre nós, este negócio de ficar tentando provar que não existem negros no Brasil é bem agressivo e ofensivo para quem é – ou se imagina – negro. Fica parecendo racismo enrustido quando nenhuma proposta alternativa FACTÍVEL e não protelatória é apresentada.

E vamos combinar: De onde vem afinal este ressentimento todo, esta bílis destilada contra a promoção ou a evolução social dos ‘não brancos’ em especial se, também em especial, estes mesmos ‘não brancos‘ são os excluídos?

Afinal a existência de um virulento racismo no Brasil é um fato mais do que reconhecido já, internacionalmente até.

Os anti cotistas raciais estão sendo mesquinhos, isto sim. Fazem uma conta ‘de menos’ que, ao fim de tudo propõe a manutenção de tudo como está (a conta da exclusão social eles não fazem nunca). A conta que valia a pena fazer, neste caso nem se trata destas que dizem se somos entre 5% e 51% os negros no país. Talvez os anti cotistas raciais não tenha entendido bem – se é que querem mesmo entender – o conceito ‘negro‘, que é apenas político e não racial.

Afinal a categoria ‘negro‘ no Brasil não pode ser aferida por este parâmetro aí, genético, como se fôssemos africanos legítimos, uma raça por suposto. Não é justo nem sério isto aí. Raças, afinal, não existem!

Negro‘ – todo mundo de boa vontade sabe – não é um conceito genético (e o uso deste parâmetro eugenista aí, é hoje inaceitável). Politicamente,o conceito “negros” – é preciso se reconhecer isto logo, sem cinismo – se refere à maioria dos excluídos do Brasil (pretos, índios, mulatos, ou qualquer outro nome que se queira dar aos que NÃO são considerados brancos na hora de exercer direitos de cidadania).

A premissa errada (a definição de quem é e quem não  é negro) foi usada ILEGALMENTE para instituir o racismo. Só o uso desta mesma premissa poderá ajudar a desamarrar este nó. É como usar o soro do veneno para curar a mordida da cobra venenosa.

E ao matar a cobra há sempre que se mostrar o pau.

Criaram o saco de gatos de todas as cores, separando os brancos num outro saco à parte e bem melhor. Agora, na hora de trazer os gatos brancos para o saco geral, querem separar, de novo, apenas os gatos pretos do saco já ruim para lançá-los onde? Num saco ainda pior?

Se nós, os não brancos nos assumíssemos ‘mestiços‘ eles iam vir com a mesma conversa reacionária contra cotas para ‘mestiços‘.

Cotas raciais para eles, só para brancos. Que doidos!

Se é esmagadoramente ‘branca‘ a minoria, a auto eleita elite dos incluídos, como poderíamos lutar contra a iniquidade de tantos serem preteridos, dominados por tão poucos, senão isolando os que se intitulam ‘brancos‘ num saco só? Os que se intitularam ‘brancos‘ para levar vantagens agora, perderam o bonde da história  e são agora uma reconhecida e identificável minoria. Azar o deles. Paciência. Demoramos muito a definir isto que agora é reconhecido por lei.

Esta conta de excluir negros, de novo, esta conta de negar ações afirmativas para negros pode ser chamada de que? Como classificar este reacionarismo anti negros que está pululando por aí?

Tem um nome isto. Nem preciso falar qual é.  Falem vocês.

Hora da verdade. Hora de deixar de ser branco para ser franco.

“Não pisa ni mim!”

Escolinha do Prof. Kamel. Aula extra de recuperação:

Já cansei de falar disto por aí: Ali Kamel, Ivone Maggie, Demétrio Magnoli, Rodrigo Constantino, o pessoal desta virulenta Cia. dos anti cotistas raciais mais radicais, embora acusem os pró cotistas de importar modelos norte americanos racialistas,  têm um guru, exatamente… norte americano. Sabiam?

Ele é o Tomas Sowell, um economista negão de Harvard (como o Obama, só que…de ‘alma branca’). É que Thomas é um dos principais ideólogos da direita do Partido Republicano (eu disse da Direita!). Bem, como sabemos por alto nós, os brasileiros, a direita norte americana é…racista, certo? No currículo dela estão a Ku Klux Kan, os linchamentos de negros e a oposição ferrenha às lutas pelos direitos civis na América, inclusive – caso direto de Thomas Sowell – uma campanha ferrenha contra as cotas raciais e às ações afirmativas em geral.

Pois bem. Thomas Sowell é o principal teórico da direita norte americana nesta cruzada anti democrática aí. Juntando os pontinhos, ligando Ali Kamel, Maggie, Fry et caterva a seu guru de ‘alma branca’ dá um quadro bem esdrúxulo, não dá não?

Nunca mais caí na conversa de vivandeiras neo racistas como o Kamel depois que descobri este rabo de cobra delas. Não querem cotas de espécie alguma porque são direitistas, elitistas anti democráticos. partidários do passado e do atraso. Cobras chocando ovos no cesto.

São o rabo daquela cobra da bandeira do Tea Party direitista norte americano que diz aí em cima:

“Dont tread on me”

Frases mui meigas de Thomas Sowell guru destas vivandeiras:
Defendendo a propriedade privada das leis de promoção socijal do governo Obama:

“Ambos os direitos de liberdade de expressão e direitos de propriedade pertencem legalmente aos indivíduos, mas sua real função é social, para beneficiar um grande número de pessoas que não se exercem estes direitos.

Defendendo posições contrárias as cotas raciais e as ações afirmativas em geral:

…O capitalismo sabe apenas uma cor: a cor é verde, tudo o resto é necessariamente subserviente a ele, portanto, gênero, raça e etnia não pode ser considerado em seu contexto.”

Defendendo a manutenção de valores conservadores na sociedade:

“…Cada nova geração nascida é na verdade uma invasão da civilização por pequenos bárbaros, que devem ser civilizados, antes que seja tarde demais.”

Manifestando-se contra a universalização de direitos legais numa sociedade:

…Se você sempre acreditou que todos deveriam jogar pelas mesmas regras e ser julgada pelos mesmos padrões, teria sido rotulado de radical há 60 anos, liberal há 30 e racista hoje.”

Defendendo o conservadorismo em geral:

…Grande parte da história social do mundo ocidental, ao longo das últimas três décadas, tem sido uma história de substituir o que funcionou pelo que soa bem.”


(Textos de Thomas Sowell, economista, como eu disse acima membro da ala direita do Partido Republicano, simpatizante do Tea party e cuja ficha de direitista anti Obama é ciosamente escondida por seus acólitos no Brasil (Kamel & Cia).

Detalhe: Thomas Sowell apoia hoje a ala direita do Partido Republicano nas eleições de 2012 cujo candidato Newt Gingrich vai mal das pernas e deve perder a indicação para Romey.

————-

Daí, um aluno mais panaca, lá no fundo da sala perguntou ao Prof. Kamel qual era a moral da história, da lição que Ali acabou de dar (e que eu contei aqui com as entrelinhas expostas), exaltando o Sowell :

Ali calou-se, rabinho entre as pernas. Se aproveitou da campainha que tocava no pátio e encerrou a aula. Fofoqueiro que sou, contudo, chamei o aluno panaca no corredor e entreguei:

_ “Se liga: O professor Kamel e seus colegas doutores daquela ‘tchiurma’ de neo racistas dele, não são apenas racistas não, rapaz. Eles são de Direita. Torcedores do ‘Tea Party”, do Reagan, da Sarah Palin, gente barra pesada. Cuidado com eles, brancaiada!”

Ao que o aluno panaca, cara de tonto, bem babaca, perguntou:

_” Tea Party? Mas o que é isto, tio? Alguma festa na Lapa? É hoje?

…Bem..Esqueçam. Vamos de agora em diante cultivar as virtudes da paciência. Eles ainda têm muito que aprender.

Nós – e o STF – pisamos no rabo deles. Vamos ter que esperar a dor de rabo deles passar.

Spírito Santo
Abril 2012/2017

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~ por Spirito Santo em 18/06/2017.

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