“A Patrulha”. Meu sangue escrito na neve da segunda guerra mundial

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Quem tem esta glória familiar que à mantenha viva, para sempre.

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Imaginem! Meu pai herói, teve um combate do qual fez parte no norte da Itália em 1945 registrado num jornal.

Fico aqui, chapado de emoção imaginando o quanto de orgulho meus irmãos e filhos sentirão de seu pai e avô, agora herói mesmo, sacramentado e juramentado.

A notícia eletrizante saiu no jornal (ou periódico) “O Cruzeiro do Sul” do dia 1° de março de 1945, pag 4. A crônica, assinada por aquele que é considerado o maior correspondente de guerra brasileiro, Joel Silveira se chamava “A Patrulha”. Quem garimpa e encontra é, de novo a dileta amiga Bete Scg que me pergunta:

“_.. Vê se pode ser ele”

Sim! Não só pode ser ele.p, como É ELE! Que coisa impressionante!

(Clique na imagem para ler a matéria)

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Seu nome era muito incomum para ser um homônimo. Seria muita coincidência haver um homônimo no mesmo exército, na mesma guerra. Quando convocado estava morando aqui no Rio de Janeiro há muito tempo. Fugiu de casa, em Diamantina, MG com cerca de 14 anos, nunca soubemos, exatamente porque e, sabe-se lá como, fixou-se no Rio de Janeiro desde então.

José Cyrilo chegou no Rio de Janeiro (na época Distrito Federal) sozinho passando, segundo contou para minha mãe, por São Paulo ali por volta de 1932. No ensejo de sua convocação para a guerra na Europa, já estava aqui, portanto por cerca de 13 anos e deve ter sido identificado no quartel, por alguma razão, como natural daqui do então Distrito Federal.

O “Ceará” ao qual a crônica se refere, pode ser o amigo mais chegado dele, morto numa barraca de campanha num inesperado bombardeio alemão. Ele contou este incidente para minha mãe Geny, se referindo a um nordestino (tinha na memória que minha mãe falara num “Paraíba“, mas pode muito bem ter sido um “Ceará”).

Ele, Cyrilo, saiu da barraca com uma caneca de café recém feito, justo na hora em que o morteiro caiu. Por segundos não morreu neste incidente e eu, seu filho não teria existido para contar sua formidável história.

Talvez tenha sido um dos muitos gaúchos da bem sucedida patrulha, aquele amigo presenteou Cyrilo com uma bela cuia de chimarrão, com borda e bomba de prata, que guardo carinhosamente comigo até hoje

(…Eu sei. Preciso limpar a prata, mas é que gosto do óxido do tempo)

Num doc. de 1967, já publicado aqui, minha mãe solicita ao exército a correção do nome de José Cyrilo no certificado de sua medalha de campanha, grafado sempre equivocadamente sem o “y”.

Acordei há pouco e esta foi a primeira notícia do dia. Estou aqui emocionado, tomando o meu cafézinho matinal. Um bomba boa acabou de explodir aqui no meu cafofo.

José Cyrilo do Espírito Santo, meu pai herói

http://www.defesanet.com.br/ecos/noticia/2786/15-de-setembro-de-1944—–A-cobra-esta-Fumando—-Brasileiros-entram-em-combate-na-Italia/

(O jornal “Cruzeiro do Sul” onde a crônica foi publicada tem como fundador e principal colunista, a interessante figura de Félix de Araújo, paraibano, pracinha voluntário correspondente de guerra, poeta que se tornou comunista e político muito bem sucedido, assassinado em 1953 com um tiro pelas costas, desferido por um desafeto político.

Existe uma controvérsia sobre a fundação do jornal, atribuída, oficialmente à FEB, segundo o link que obtive, em matéria onde o nome de Félix de Araújo, sequer é citado.

Agradeço comovido a este outro herói de guerra que foi Félix de Araújo, ou quem quer que seja o autor da crônica, por ter registrado para a eternidade o heroísmo de meu pai.

Aguenta coração!

Spírito Santo

Junho 2015

~ por Spirito Santo em 19/06/2018.

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