Eugenia é o cacete! Gente não se mistura


Gente, água e óleo, tudo a ver.

Somos diversos, este é o nosso destino. Só nos misturamos na lama

Todo hibridismo é estéril. Não existe, portanto mestiçagem, mulatismo, crioulidade possível entre seres humanos.

(É um modismo estranho esse papo de mestiçagem vir refluindo assim, justo agora, como esgoto entupido. É bom falarmos sobre isto)

O Alí Kamel, editor chefe do jornalão, pautou esse tema diversas vezes em O Globo no passado, mas depois que o STF aprovou a pertinência constitucional das cotas raciais, a conversa morreu. Trata-se de uma ressuscitação de uma pauta morta? É um filme de zoombies? Jornalismo amarelado de direita?

Numa dessas matérias do geneticista contratado pelo jornal, por exemplo, o percentual de DNA europeu do Neguinho da Beija Flor e da ginasta Daiane da Silva seria, supostamente, de….60% (!). De que isto nos importaria? Eles viraram brancos diante dessa controversa constatação?

Convenhamos que é um tanto óbvia a conclusão no que diz respeito à aparência das pessoas não definir uma origem “racial” (o que, simples assim, prova apenas que não existem raças). Só me chamou a atenção o fato de quase nunca se mencionar os percentuais do DNA africano das pessoas brancas, que fica sendo o sujeito oculto na história.

Mas fica combinado assim: ser preto – ou branco – não tem fundamento eugênico, você não é uma espécie melhor ou pior de ser humano só porque tem a aparência fenotípica assim ou assada. Existem pretos, existem brancos e todas as possibilidades fenotípicas que estas duas matrizes possam gerar porque, a base de nossa natureza, geral, planetária, é a…DIVERSIDADE.

Pelo amor de deus! Isto é o básico de nossa humanidade.

Desculpem tocar em questão tão óbvia, mas, aparentemente, estas pesquisas morta-vivas parecem sempre querer reduzir a proporção de DNA africano na população (inclusive aquela que é visivelmente negra) e isto é uma coisa muito estranha. Não parece ocasional. Tem algo de intencional este eugenismo mofado e fora de hora.

Muito doida a sugestão dessas pesquisas de que o Brasil, com esta multidão de milhões de negros (e pardos, como alguns querem que se diga, “não-brancos” diria eu) tenha tanto DNA europeu. Haveria assim alguma potencialidade maior, alguma qualidade superior na constituição do DNA dos europeus que o faria mais resiliente que o DNAs das demais fenotipias que, o”inferiores”, se diluiriam com o tempo?

Estranho geneticismo seletivo este. Onde, mãe de deus estão as provas dessas teorias tão escalafobéticas?

Neste sentido, gostaria de chamar a atenção dos mais distraídos: O fato é que, na série de matérias pautadas pelo Kamel em O Globo, a intenção clara era política: reduzir a importância do DNA africano na população brasileira, numa época em que as campanhas pela adoção de cotas raciais bombavam.

(Ali Kamel – lembram? – liderava um grupo radicalmente contrário às cotas, grupo este por fim derrotado no STF. Alguns integrantes desse grupo soturno chegou a montar um tal de “Movimento pardo-Mestiço”, cuja guru principal, a mais proeminente era a antropóloga Ivonne Maggie.

Ninguém falou nisso aqui, mas eu espero que todos já estejam convencidos de que este tipo de pesquisa e seus inusitados resultados nada têm a ver com a questão do Racismo (a tentativa de alguns grupos de negar a sua existência), Racismo este que não passa de uma construção social, implantada no Brasil como “fundamento”, expediente para excluir pessoas em espaços sociais subalternos. A antidemocracia colorida.

Aliás, sempre me espanta um pouco este tipo de busca por ancestralidades biológicas (ou pedigrees) improváveis, ser uma tendência, tão fortemente voltada para o eugenismo (a genética como “prova”), quando se sabe que o DNA seria apenas um minúsculo indício de uma remota origem de alguém, sem a menor chance de identificar ancestrais reais, antepassados indivíduos.

Sugiro a todos que dêem uma estudada básica em pesquisas históricas que dão conta do alto percentual de DNA africano na população europeia – principalmente na nobreza, em todas as famílias reais. Fiz uma rápida pesquisa sobre isso e fiquei com o meu cabelo duro em pé. As descobertas embolam, desmoralizam qualquer conclusão eugenista baseadas nesses exames de DNAs remotos.

(Pobre Dr. Frankenstein)

Vamos pensando melhor no tema, é o conselho. Gastar dinheiro só pra saber se se é mais ou menos europeu, ou africano ou indígena é uma decisão um tanto inútil. Tomaria tudo de cerveja, entre outros prazeres mais…culturais e nesse transe etílico descobriria toda a verdade:

Somos todos negões!

Estou mesmo curiosíssimo é com a importância que o tema do percentual de DNA “racial” (a mestiçagem como sujeito omisso) esteja tão em voga no Brasil. Todo mundo querendo saber se é ou não é negão…até os que evidentemente negões já são.

O que está havendo, pessoal? Este é um tema do século 19!

Portanto, não se assustem, racistas arcaicos. Os negros, os meio negros ou quase negros, os que se parecem com negros, enfim, não estão urdindo planos de vingança. Estão apenas descobrindo que foram enganados.

Relaxem, e aprendam a gozar o prazer seminal de serem apenas gente normal se embolando, rolando agarrada numa lama medicinal dessas, como a de Guarapari.

Spirito Santo
Agosto 2018