Black Music remota: (1900- Banda D.Pedro II, Campanha, Minas Gerais.)


Black Music remota:

(1900- Banda D.Pedro II, Campanha, Minas Gerais.)

Muito crioulo na parada? Instrumentos de sopro? Centenas de bandas como esta espalhadas por aí, no mínimo uma por cidade? E, que incrível: Em certos lugares do interior até hoje é assim.

Nada de estranho (eu mesmo vivo contando essa história por aí) Uma resposta bem prosaica até:

É uma longa história que se agudiza em meados do século 19 (na verdade começa na África, com a natural predisposição dos africanos para a utilização da linguagem musical de forma socializada.).

Esta nouvelle vague noir segue nas guerras de Secessão e do Paraguai, e envereda pela I guerra mundial na Europa, com milhares de soldados-músicos trazidos das colônias em África (do Congo francês ou Belga, principalmente)

Bandas musicais de negros!

Por aqui, durante muito tempo – notadamente nos anos finais da escravidão – donos de fazendas (de café, principalmente) estimularam a formação de conjuntos musicais com escravos em suas propriedades. Quem não sabe disso?

Muitos importavam professores de música da Europa e havia até muitos conjuntos de câmara nas maiores fazendas, formados apenas por jovens escravos, lendo e tocando música clássica, erudita da Europa, para o deleite afetado das visitas.

Sinhozim legal, não é não?…Que nada! Era um mero dispositivo de ostentação de brancos nababos.

A rigor, na escravidão (até bem pouco tempo na verdade, já no Brasil racista) música – e o trabalho manual ou braçal, em geral – era uma atividade considerada reles, subalterna, logo, exclusiva para negros. Era por isso!

Praticamente só os pretos tocavam instrumentos de música. Muitos dos nossos músicos, orquestradores e maestros de música popular mais importantes eram negros…Sabia não?

Este fenômeno foi comum nas províncias economicamente mais desenvolvidas, onde obviamente o regime de trabalho escravo era mais…sofisticado (RJ, MG, SP, BA, PE, no caso)

Só na virada do século 19 para o 20, músicos brancos começaram a aparecer nos teatros e cabarés dessas cidades. Eram, contudo emigrantes estranjeiros, notadamente europeus, onde pontificavam os italianos.

Parece mentira, certo? Mas não. É tudo verdade.

Por isso, quando alguém vier com aquela conversa de que músico negro é sempre batuqueiro (perdi a conta de quantas vezes já fui tratado assim) dê “pause” e corrija, com aquela cara de sonso: _”Anh?…Como assim?”

Spirito Santo
Quarentena Agosto 2020
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