KILOMBOLOKO! Grupo Vissungo, 40 anos de praia, grava VINIL/CD histórico! Ju


 KILOMBOLOKO!

Grupo Vissungo, 40 anos de praia, grava VINIL/CD histórico!

Apoie já _ http://www.catarse.me/kilomboloko2017

O Grupo Vissungo é um projeto musical, uma banda que concebe seu som, seu produto, a partir de muita pesquisa, de campo e de estúdio, como você verá por aqui, em muitos links abaixo, caso nunca tenha ouvido falar de nós.

O curioso é que fazemos isto, acredite, desde…1975!

Somos especializados na música africana que mais diz respeito á cultura brasileira geral – a música da Diáspora africana no Brasil, melhor dizendo – fazendo sempre uma releitura que torne esta música adequada á realidade dos sons do que chamamos de música popular, moderna, urbana, a música das mídias do mundo inteiro ou seja: sem folclorismos vãos.

O resultado, na linguagem de rótulos simples do Mercado, pode ser caracterizado como algo entre o Afro-beat e a Black Music, só que no nosso caso avançamos sem grandes compromissos com os modismos do mercado, construindo uma música muito particular e original, que nunca coube nos caixotinhos desse shopping center de bugigangas em que se transformou à indústria fonográfica do Brasil.

Entre outras, esta talvez seja a razão de, por mais incrível que pareça, com uma carreira que já dura 42 anos (!) com uma rica estada na Europa, nunca tenhamos tido a oportunidade de gravar o nosso som de carreira, a nossa proposta real.

É que gravamos bastante, fizemos muitas turnês por várias partes do Brasil e do exterior, mas sempre tivemos este nosso som real, ignorado pelo mercado fonográfico brasileiro, que não quis, ou nunca conseguiu nos inserir em nenhum de seus escaninhos estético-comerciais, nos convidando sempre para gravar apenas aquela música negra mais próxima dos chavões da MPB ou do mais tradicional, dos sons “negros” mais subalternos e convencionais enfim, como se este fosse o lugar a nós destinado e pronto. Mas não.

Os tempos mudaram. o mercado fonográfico tradicional, desmilinguiu-se no emaranhado de possibilidades das redes virtuais. Este projeto visa, portanto, nessa oportunidade, acabar de vez com essa dicotomia entre nossa música e as pessoas que querem nos ouvir aqui, ali, no mundo inteiro.

Com KILOMBOLOKO pretendemos gravar 12 exemplos da nossa extensa e impressionante trajetória musical, provando o quão moderna e interessante esta nossa música sempre foi e, agora registrada, sempre será.

Você, com seu apoio, será nosso precioso parceiro nessa caminhada infinita.

KILOMBOLOKO vem aí!

 

 

Dossiê do Titio: Prêmio Funarte de Arte Negra lavado


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Premiados arte negra copy

A lavadeira sem sabão diante da roupa suja

Sabão um pedacinho assim
A água um pinguinho assim
O tanque um tanquinho assim
E a roupa um tantão assim
Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá ”

 (Monsueto Menezes)

 E as nuvens negras abriram lugar para as brancas nuvens
A gênese do prêmio

(Já vi este filme. Começa com um animado flash back:)

Ano de 2012. A Funarte acabara de divulgar o resultado de um edital para a ocupação de teatros da rede estadual na cidade do Rio de Janeiro e o foco do edital era Cultura Negra.  A Cia dos Comuns, disputava o Teatro Glauce Rocha, mas  ganhou o concurso para esta ocupação uma  empresa de produção cultural de duas moças… brancas. Não prestou:

…O que se fala é o seguinte: é um protesto, uma denúncia…contra a Funarte e contra o MinC, notadamente contra esta suposta democracia que se instalou neste país…desta política de editais que diz que é democrática. Democrática nada. Isto é uma falácia!..”

 (Hilton Cobra no vídeo em “Eugenia Cultural” )

Havia uma forte e funda suspeita de que uma panelinha de artistas e produtores brancos, monopolizava e manipulava a seleção das bancas de pareceristas, notadamente na Funarte. Era notório o caso das produtoras brancas do mega evento de música negra “Black To Black“. Um amplo protesto, puxado por Hilton Cobra (o popular  ator e diretor “Cobrinha”) contra isto agitou o meio da produção cultural negra:

… Tô propondo que este movimento não se esgote e que em lugar de um movimento puxado pelo Hilton Cobra e Cia. dos Comuns, seja um movimento puxado pelo Forum nacional de performance Negra, núcleo Rio de Janeiro…”

(Hilton Cobra no vídeo “Eugenia Cultural”

Nasceu assim, para quem não sabe o movimento Akoben, um coletivo de artistas e produtores negros, atualmente muito atuante em seu contexto.

Com a saída de Ana de Hollanda do MinC Hilton Cobra, então líder do Akoben passa de pedra à vidraça, assumindo a presidência da Fundação Cultural Palmares até surgir, por fim, este promissor Prêmio Funarte de Arte Negra, entre outros editais com o mesmo fim.

Mas vejam só o quanto é pesado o karma dos negros deste país: A realização dos concursos foi logo embargada por uma liminar de um juiz federal, que os considerou, inconstitucionalmente…racistas (a efetivação da premiação está, inclusive suspensa ainda, sub Júdice).

Desde a suspensão dos editais, a Fundação Cultural Palmaresparticipa de reuniões com produtores culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, a fim de encontrar formas de manter os processos de seleção. Mais três cidades, Belém/PA, Porto Alegre/RS e Aracajú/Se, se articulam para os debates com a presença de Hilton Cobra.”

Pareço, mas não sou estúpido. Bem sei que não me cabe aquilatar a qualidade dos projetos vencedores de qualquer concurso do tipo, muito menos este Prêmio Funarte de Arte negra (nem mesmo a dos cinco agraciados do Rio de Janeiro), pois nunca havia ouvido falar do nome da maioria dos ganhadores. Este tipo de ilação – quem não sabe – é perda de tempo total diante da enorme subjetividade do assunto.

Depende muito também de quem seleciona os jurados, da linha ética ditada pelos critérios estabelecidos pelo edital que, convenhamos, nem sempre são seguidos por causa de diversas injunções facilitadas pelo fato de os júris deste tipo de concurso serem sempre…maliciosamente ‘soberanos’.

O que se passa na cabeça de um ser humano no momento em que lhe dão o poder de julgar o que quer que seja, notadamente artistas ou projetos de arte, é obra da mais pura imponderabilidade. Mas posso sim opinar caso a caso sobre o que penso sobre alguns exemplos mais descarados de emblemáticos.

(E para a nossa sorte, muitas vezes tem gente olhando e… maldando)

“Cada cabeça uma sentença. ” gosto não se discute”, é o que dirão os conformistas, os oportunistas e os ‘em cima do muro’. Vão também me execrar porque, “lavo a roupa suja” fora de casa. Mas é aí que mora todo o perigo, pois, encobertas por subjetividades e hipocrisias como estas, quantas injustiças não são cometidas por aí?

Enfim, se quiserem, considerem este meu desapontamento uma bronca de preterido sim, mágoa de perdedor, mas entendam também que no caso da gravidade das referidas suspeições que lerão abaixo, não dá mais para apoiar campanhas supostamente justas sem clareza e transparência nos encaminhamentos, afinal justiça não é só a sentença. É sempre todo o processo.

Bem sei que selecionar 33 projetos num universo de mais de 3.000 inscritos, como  ocorreu neste caso, é uma tarefa difícil de ser realizada, mas algum tipo de filtro há que se criar para que os resultados reflitam, claramente a natureza justa da avaliação, mesmo que se considere o caráter político da iniciativa, como é o caso, valorizando os projetos mais emblemáticos e urgentes.

Infelizmente, pelo que vocês vão ter a oportunidade de avaliar a seguir, não foi de modo algum o que parece ter ocorrido na seleção deste Prêmio Funarte de Arte Negra.

Não temos como saber de onde partiu – se é que ocorreu, como parece ter ocorrido – este golpe de mão sórdido, irresponsável. Estão na berlinda neste caso, como bolas da vez para explicar tudo, a Funarte, o MinC por tabela, a Seppir e a Fundação Cultural Palmares, instituições oficialmente envolvidas.

Não temos, da mesma forma, meios de saber como foi montada esta banca de avaliadores (apesar de – desculpem a indiscrição – eu mesmo ter sido sondado para integrá-la, o que obviamente recusei porque participava do concurso como candidato).

A decepção advinda de minhas ressentidas suspeitas me recordou, aliás, mais uma vez esta fala de Hilton Cobra em 2012, por ocasião daquele protesto contra a Funarte: 

…” O que me deixa com a pulga atrás da orelha é se houve ou não má fé neste resultado… Eu queria mesmo na verdade é botar no ministério público, mas no ministério público eu não tenho coisa alguma para colocar…porque eu não tenho provas de absolutamente nada…”

(Hilton Cobra no vídeo “Eugenia Cultural”)

Respeito, admiro e, sobretudo, confio em Hilton Cobra, atual presidente da FCP, mas é o feitiço contra o feiticeiro. Muita coisa para a Funarte explicar. Como se decidiu a pertinência e a relevância dos projetos selecionados em relação aos preteridos? Que filtros foram usados na triagem? Quais foram enfim, em minúcias, os critérios utilizados para, de 3.000 inscritos se chegar aos 33 premiados?

Lamento, mas o quadro eu avaliei é bem suspeitoso.

O que me desaponta, portanto é que, a julgar (apenas como exemplo) pela não inclusão do projeto do Grupo Vissungo, dada – modéstia à parte –  a sua qualidade, pertinência e relevância histórica, talvez – não posso afirmar – este concurso pode ter nascido, infelizmente com o mesmo vício de origem dos anteriores (os concursos “de brancos”) resultados ambíguos, com lógica assentada em critérios vagos e inescrutáveis, baseados em panelinhas e compadrios.

(Indignado como estou, vou abrindo logo aqui que, velho militante do Movimento negro que sou – apesar de ter sido sempre, absolutamente independente – sou testemunha de que ética e moral das lideranças nunca foi o forte do Movimento negro, pelo menos este surgido nos anos 1970. E duvido que me desmintam)

É assim que o Titio, mordido até agora, parte para entender as filigranas, futuca o que pressentia e encontra o que não devia.

Vejam em minúcias a raiz do desapontamento: Já perdemos, nós do Grupo Vissungo,  trocentos editais na vida, as razões que sobram para nos desapontar (e a todos os perdedores de editais como nós) estão sempre associadas à falta de transparência dos critérios e às suspeitas de que as cartas talvez tenham ter sido marcadas.

Foi exatamente isto que o sempre combativo Hilton Cobra apontava quando estava do outro lado da cerca.

…Se este ano (2012) tivéssemos representantes negros nessas comissões diria o seguinte, olha só. Estas meninas b.r.a.n.c.a.s. têm apenas seis anos de experiência nesta área. Descobriram, com o o pessoal  b.r.a.n.c.o. do Black To Black como ganhar dinheiro em cima da cultura negra e o estado, o governo, dá dinheiro pra estes caras…”

(Hilton Cobra no vídeo “Eugenia Cultural”)

Eu mesmo tenho provas para corroborar o que Hilton apontava: Por incrível que pareça eu mesmo, pessoalmente já ganhei – recentemente até – um concurso desses, no qual fiquei com a forte impressão de que a firma que me representava tinha algum acesso privilegiado à banca.

(Não conto qual foi concurso, nem morto.)

Tinham “Q.I.”. Garantiram que eu ganharia e ganhei mesmo. Como nunca havia ganho nada deste tipo antes, macaco véio engoli o mimo, mas maldando pensei:

_”…E não é que estas coisas de panelinha existem mesmo?”

Vamos então conhecer agora, em suposições bem cabeludas como é de praxe com o Titio, os detalhes de mais esta historinha de carochinha feia desta tal de “elite negra” do Brasil.

Circo de pulgas

(Serão muitas pulgas e apenas duas orelhas. Dois picadeiros)

Neste caso, a estranheza começa logo a bater forte quando observamos que os projetos agraciados com o Prêmio Funarte de Arte Negra(acesse a lista no link) não são propostas conhecidas pela maioriade nós. Como assim? Cansamos de torcer uns pelos projetos dos outros e aparecem premiados ‘outros’? Aliás – que curioso- alguns destes projetos “outros” nem “Arte” exatamente parecem ser, já que, pelo nome têm uma pinta enorme de serem teses de mestrado.

(“Arte Negra”, diz o edital. Se liguem!)

É, no mínimo estranho que uma proposta – ou um proponente – sob a qual não se encontra nenhuma referência ou citação pública possa ser considerada tão genial e pertinente a ponto de tirar nota máxima numa disputa tão acirrada e de amplitude tão nacional quanto esta. Enfim.

Mesmo no campo da mera ilação, nos baseando apenas nos títulos e na ficha dos proponentes agraciados, podemos afirmar que o nível de qualidade da maioria dos premiados é bastante questionável, em certos casos visivelmente sofrível se comparado com a qualidade evidente de alguns dos preteridos mais conhecidos.

É curioso também observar que no currículo artístico de muitos destes agraciados, não há nenhuma relação anterior com a arte negra, o que é , no mínimo estranho. Alguns se parecem assim com aventureiros infiltrados, praticantes novatos de uma arte negra de ocasião, digamos assim, animados, quem sabe, pela janela de oportunidade aberta pelo edital.

Tudo certo. É assim que funciona o jogo enquanto não termina, mas dar nota máxima para tantos agraciados com este tão questionável cabedal é coisa pra lá de suspeita, não é não? Gostaria que explicassem publicamente isto aí.

Não é coisa irrelevante no âmbito de uma análise pente fino. Salta aos olhos, candente, uma pergunta que não quer calar: Afinal, qual foi o critério ESPECIAL, preponderante na escolha de alguns destes 33 premiados? A qualidade e a pertinência dos projetos em relação aos termos do edital, como vêem, é que não parece ter sido.

Analisei com o máximo de meticulosidade a lista dos agraciados e separei alguns casos (‘pulgas’) curiosos e instigantes que podem sugerir um quadro de suspeições bem delicado.

Vou logo pedindo, de antemão desculpas se a barraca de alguém cair ou se o balde de uns e outros amassar, mas, entendam, não estou mais em idade para salamaleques de pai joão.

Pulga número 01
O milagre da distribuição das notas 100.

Bastou uma rápida vista d’olhos na lista dos agraciados para deduzir logo de cara que só podiam ser propostas, absolutamente raras e geniais, já que obtiveram TODAS as 33 a nota máxima (100), enquanto que o projeto do Grupo Vissungo que, por exemplo e sem modéstia vã, reputo como de ótimo nível (pois fui eu mesmo quem o formulou) tirou apenas uma modesta nota…76.

Trinta e três primeiros lugares, sabem lá o que é isto? Ui! Esta pulga mordeu bem doído.

Surpreendente constatação porque a própria ministra da cultura, em recente encontro no Rio com artistas e produtores negros – de forma até bem deselegante, por sinal – manifestara a sua preocupação com a qualidade geral dos projetos.

Fiquei então matutando, tentando entender a misteriosa matemática que permitira que 18 avaliadores conseguissem encontrar valores absolutamente geniais em 33 projetos inteiramente diversos.

Um surto, uma explosão de qualidade? “_Onde estariam escondidos estes brincos, meu deus, estas jóias tão raras de nossa negritude?”_ Diria eu, extasiado.

_Culpa do racismo, que invisibiliza tudo que é da Cultura Negra”, diria a militância mais babaca, com seu corporativismo de botequim

Ora é evidente que uma suspeita enorme logo me assaltou. Ficou mais candente a constatação ainda quando percebi que logo após a trigésima quarta nota, todas as outras passaram a ser diferenciadas, aí sim, com frações e décimos, como seria lógico no geral.  Afinal era uma disputa de quase 3000 projetos e era lógico se supor que haveria uma batalha acirrada de décimos, mínimas diferenças entre os projetos, principalmente entre os mais competitivos.

Ora convenhamos : Nota 100 é o máximo, gente! O supra sumo, o ‘crème de  la crème’, entendem?

Mas não. Se era matematicamente impossível, fora de qualquer cogitação que as notas 100, redondas e exatas pudessem ser atribuídas a tantos projetos, o que teria ocorrido? Porque maldita razão cometeram este expediente tão tolo para quem, supostamente pretendia esconder o rabo de algum gato? Teriam dado notas máximas aleatoriamente para 33 pré escolhidos? Ora, me poupem!

O que se pode deduzir disto aí?

Se são altamente suspeitas as notas, rigorosamente iguais e máximas de 33 agraciados, obviamente passam a ser inválidas TODAS as demais que estão no rol de uma seleção única. E apenas este fator absurdo já seria suficiente, para desmoralizar completamente e embargar, o resultado do prêmio.

Desafio então, logo pra começar, que a Funarte – ou quem de direito – nos explique, direitinho COMO se deu este fantástico milagre da multiplicação das notas 100.

Ou PORQUE isto se deu, é claro.

Pulga número 02

A teatróloga nigeriana e a criação do mundo segundo os nagô

O nome de Aduni Bentonnão aparece na lista dos agraciados. Sei pelo facebook que ela é uma diretora de teatro nigeriana que realiza um trabalho ligado, principalmente á aspectos sócios religiosos da cultura yoruba, dos chamados nagô. Chama-se Cia. “É tudo cenao seu trabalho, que é bem conhecido no meio do movimento negro mais institucional.

Embora me incomode a temática excessivamente fundada em conceitos chavões da cultura negra mais ‘oficial’ (que este movimento negro mais “chapa branca” adora de paixão), não me cabe e nem tenho meios para avaliar ainda a qualidade estética, artística do trabalho de Aduni. É arte negra, com toda certeza e ponto. É só o que sei.

Contudo, o proponente do projeto dela, é Sidnéia Pereira, presidente da companhia “É tudo Cena” e secretária executiva do CEAP (Centro de Articulação das Populações Marginalizadas) mui notória instituição ligada ao Mov. Negro oficial governista, e ao PT, liderada por Ivanir dos Santos, atualmente, na condição de babalaô – tendo estado até com Papa –  liderando marchas pela liberdade religiosa no Brasil.

Considerando a existência de milhares de projetos – presumo que muitos de teatro – no concurso, me parece evidente sim, pelo menos provável, que o fato de estar ligada a estas correntes negro-oficiais facilitou bastante a Aduni Benton conquistar uma das 33 notas máximas e amealhar um dos prêmios.

Duvidam? Senão vejamos os outros

Pulga número 03

Um super black doutor que filosofa Deleuse

 “Você tem novos projetos para o público infantil?

Primeiro, um livro chamado ‘Era uma vez no Egito’ que deve sair em setembro de 2013 e terá apoio da UFRRJ para distribuição gratuita em algumas escolas e bibliotecas públicas. Eu tenho um terceiro livro da Coleção Nana & Nilo que está programado para sair em 2014, ao lado, de uma revista de colorir com personagens Nana e Nilo e animais da fauna brasileira que deve ficar pronta antes do fim de 2013.

(Ricardo Noguera para o blog do vereador petista do municio de Duque de Caxias, Ferreirinha)

 O projeto agraciado “Nana & Nilo e os animais”, que pelo que entendi faz parte de uma série de livros infantis com aporte de um site e jogos, é um caso também muito curioso.

Ricardo Noguera é um brilhante doutor mestre em Filosofia pela UFSCar – coisa rara em nosso meio – graduado em Filosofia pela UFRJ, especialista em Educação básica.

Noguera é também “autor de literatura infantil, com destaque para a ColeçãoNana & Nilo que, além de material paradidático, inclui diversos produtos lúdicos e interativos ligados a pesquisas nos campos da filosofia, antropologia, história e educação”.

Mas espera lá… Ora vejamos: O projeto de  Ricardo Noguera e Sandro Lopes (o proponente que é também o ilustrador), objeto da premiação neste concurso, não tem, rigorosamente nada a ver com este edital. Só com muito esforço se poderia enquadrar o projeto de Sandro e Ricardo no conceito “Arte Negra”. “Nana & Nilo e os animais” é, seguramente um projeto de literatura paradidádica, na área da educação básica

O caso da premiação deste trabalho tem mais pontos discutíveis ainda, como por exemplo: O trabalho já existe,já foi publicado e o site se encontra no ar, eu mesmo o visitei na internet  (o link vai aquipara vocês).

Qual seria então o objeto da premiação?  Uma edição de um terceiro livro da série como ele diz lá em cima? Algum produto sucedâneo? E outra questão: em se tratando de um livro, porque o projeto está nesta modalidade de edital e não a de co-edição de livros com a Biblioteca Nacional, outro edital também disponível no contexto deste mesmo apoio do MinC/Funarte á cultura negra?

As respostas para esta premiação podem estar no fato de Ricardo Noguera  ser um ativo militante do Movimento Negro, ligado, como é normal nestes casos a deus e o mundo neste âmbito mais oficial do movimento. Tem por esta mesma razão, me parece, algum trânsito no PT, campo de atração quase inevitável desta militância.

Se o projeto de Sandro Lopes e Ricardo Noguera – sem entrarmos no caráter de sua eventual qualidade sócio educativa – não tem relação direta alguma com Arte Negra (já estando inclusive produzido e realizado antes mesmo da premiação), que atributos teriam garantido a sua elevada nota e conseqüente premiação? Não seriam estas relações políticas e pessoais privilegiadas, o seu “Q.I”enfim?

O resto da entrevista dada por Ricardo Noguera  neste blog  petista, mesmo como ilação, pode ser uma pista interessante:

Pulga número 04

O fotógrafo Acampora, o estranho no ninho

 “Alexandre Acampora – Escritor, documentarista e fotógrafo. Carioca do Rio Comprido. Morou no Estado do Tocantins por quinze anos, onde foi secretário de cultura da capital. É membro da Academia de Letras de Palmas, foi eleito para o cargo de conselheiro de cultura da cidade. Escreveu no memorável Pasquim, editou jornais alternativos. “

Neste caso então nem sei o que falar, de tão óbvio. Alexandre Acompora, proponente deste projeto vencedor é, rigorosamente…branco. Teria ele se declarado, por escrito, negro ou pardo como o edital exigia, enfaticamente? Seria o caso de se conferir (bom frisar que quem exige o contrário e torna este aspecto um juízo é valor não é o Titio, mas o edital do prêmio). 

Vejam o currículo: Alexandre Acampora – com cara de ser simpático e super gente boa – é um intelectual de altíssimo nível, super dotado. Ex-secretário de Cultura de um Estado. Ele é tão bem preparado que causa enorme surpresa vê-lo disputando um prêmio tão modesto no meio desta negadinha.

Nada o salva, contudo de ser um total estranho no ninho deste prêmio

E vejam que coisa mais estranha: Não consegui encontrar na pesquisa – além desta constatação de que ele é um intelectual muito importante e um ‘não negro’ – NENHUMA relação –  nem mesmo indireta – de seu trabalho com ‘Arte Negra’, objeto precípuo do edital. O nome do projeto “Burungaba” sugere algo, mas não nos diz muito.

Como e porque Alexandre teria sido agraciado? Que diabos tem ele a ver com este concurso? Se candidatar seria até aceitável, ser habilitado é compreensível, mas acabar sendo um dos super vencedores é um mistério insondável que gostaria de ver esclarecido. Pelo amor de Deus!

Teriam sido talvez as suas prováveis extensas ligações pessoais e/ou institucionais o fator responsável por sua inesperada premiação?

Podiam explicar esta parte, por favor?

Vejam mais sobre Alexandre Acampora neste link:

Pulga número 05.

O xangô de Recife

Lucas dos Prazeres Ferreira é um jovem (28, 29 anos) e talentoso percussionista de Recife, muito famoso no contexto nordestino (Pernambuco e Bahia) e com incursões até internacionais. O trabalho mais autoral dele é a Orquestra Prazeres  grupo que trabalha com um repertório de percussão tradicional afro brasileira (basicamente ritmos do candomblé local).

Não é de modo algum surpreendente a presença destacada dele num concurso como este, mas é sim intrigante ele estar entre os 33 agraciados com o prêmio porque seu trabalho tem este recorte tradicional que se afigura como, de certo modo muito banal e recorrente. Comum, por se assim dizer. Ocorre , contudo que ele parece ter uma ligação intensa com certas instancias oficiais de nossa cultura negra mais oficial, como sugere este doc. a seguir:

“Fundação Cultural Palmares
extrato de inexigibilidade
de licitação nº 12/2013 – uasg 344041
nº processo: 01420008464201317 . objeto: Apresentação artística do cantor e percussionista Lucas dos Prazeres como parte integrante das atrações culturais, a serem desenvolvidas em Brasília, para celebrar o 25º aniversário da Fundação Cultural Palmares, o qual acontecerá na sede da Escola de Samba, Associação Recreativa Unidos do ruzeiro – ARUC, em 25 de agosto de 2013, a partir das 17 horas. Total de itens licitados: 00001. Fundamento legal: art. 25º, inciso iii da lei nº 8.666 de 21/06/1993.. Justificativa: Para atender a demanda do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira. Declaração de inexigibilidade em 21/08/2013. carolina conceicao nascimento. Coordenadora Geral de Gestão Interna. valor global: R$ 6.000,00. CNPJ contratada : xx.xxx.xxx Lucas Ferreira xx.xxx.xxx

(sidec – 22/08/2013) 344041-34208-2013ne800001″

É como ocorre com a maioria dos agraciados aqui citados. Não podemos nunca estar seguros da justeza de seu agraciamento porque a qualidade e pertinência deste agraciamento, em detrimento de tantos trabalhos preteridos, não nos parecem plenamente justificáveis, ficando sempre a suspeita de que pesou mais no caso a pertinência de suas relações com esta ou aquela instancia envolvida na organização do concurso, do que exatamente seu mérito, quase sempre nada excepcional..

(Veja mais Lucas e seu trabalho no link)

Pulga número 06

A moça da juventude petista

Esta proponente é o caso mais flagrante de suposto favorecimento. Para começar, Elen Linth Marques, tecnicamente é branca, ou seja, além do seu perfil étnico racial ser puxado para uma branquitude evidente (e repito: quem exige o contrário e torna este aspecto um juízo é valor não é o Titio, mas o edital do prêmio), Elen, que é cineasta, não possui, não encontrei, em seu vasto currículo nenhuma relação direta com cultura negra.

O que é bem mais ressaltado no currículo dela, contudo, é o fato de Elen LinthMarquesmilitar, pertencer – ou ter pertencido – ao Conjuve, Conselho Nacional da Juventude (foi a presidente do órgão por dois mandatos), órgão governista criado por e no governo Lula, ligado diretamente á secretaria geral da presidência da República, um dos muitos ‘aparelhos’ do movimento social brasileiro perpetrado pelo PT.

“O Conselho Nacional de Juventudeelegeu, em sua 7ª Reunião Ordinária, sua nova presidenta, Elen Linth Marques Dantas, Secretária Nacional da Pastoral da Juventude. Essa é a primeira vez que a sociedade civil assume a presidência do Conselho, antes comandado pela secretária-adjunta da Secretaria Nacional de Juventude, Regina Novaes. De acordo com Elen, o desafio da nova gestão será consolidar o tema “juventude” dentro da agenda pública como uma política de Estado.

O Conselho Nacional de Juventude– Conjuve, foi criado pela Lei 11.129 de 30 de junho de 2005 e regulamentado pelo decreto presidencial 5.490 de 14 de julho de 2007, com a finalidade de formular e propor diretrizes da ação governamental, voltadas à promoção de políticas públicas de juventude.

Pois bem, vocês viram aí: Elen é, mais do que qualquer outra coisa, ativa militante deste setor ideologicamente tão importante no contexto das estratégias do partido do governo, notadamente como força de mobilizações de massa, por trás de algumas recentes manifestações de rua, como o “chapa branca” Movimento Passe Livre e o Coletivo Fora do Eixo, de Pablo Capilé, aliás, também ativo colaborador deste mesmo Conjuve.

Pois bem, sabe-se lá por conta de que méritos, Elen Linth foi uma das agraciadas com o Prêmio Funarte de Arte Negra. Quer saber porque?

Sei lá.

Pulga número 07

Alugam-se negros e pardos. Paga-se mal

Michele Zguiet de Carvalho é formada em Literatura e Redação, arte-educadora, performer. Pesquisadora da área de Teorias do Imaginário. Beleza. Ela é de Porto Alegre. Dei uma olhada no trabalho dela e vi que é coisa muito fina, de alto nível.

O mais curioso da história contudo, é o enunciado do projeto (uma minuta que eu consegui encontrar aberta na internet). O texto é bem maior que os trechos que posto (posso disponibilizar a íntegra para os interessados), mas vejam só por estas pequenas minúcias como são interessantes seus detalhes:

Premio funarte arte negra
by Estevao Haeser on 22 March 2013  

1.Síntese
Seis artistas autodeclarados pardos e afrodescendentes serão convidados a participar do projeto: terão a possibilidade de frequentar
durante dez mesesum atelier coletivo, criando individualmente e coletivamente, sendo instigados pela proponente, que é professora de literatura e performer, a produzirem trabalhos a partir de referenciais teóricos e culturais (como cinema, música, literatura) que problematizam as questões sociais, geográficas, políticas, poéticas e históricas do negro na sociedade brasileira atual. “

Ou seja, o projeto se insere no concurso não, diretamente por ter negros com proponentes ou integrantes. O projeto vai na verdade…”alugar” negros e assim mesmo foi habilitado ao prêmio. Entenderam?

Além disto, o projeto não possui nenhuma relação direta com cultura negra pré existente. Supõe-se, simplesmente que “alugando” seis artistas negros a questão do edital ficaria resolvida. Esta dissociação total para com as exigências conceituais do edital aparece mais flagrante ainda quando observamos certas minúcias. 

Ao fim do projeto pretendemos terem mãos um conjunto de obras e processos que sirvam não apenas para inserir o debate da questão racial no Brasil no circuito da arte contemporânea, mas principalmente que inscrevam neste circuito os artistas invisibilizados pela mesma barreira social que sua arte representa. “

A proposta  é, claramente  enganosa. A simples imersão numa experiência de artes plásticas de artistas autodeclarados negros ou pardos (e observem que esta condição étnico racial ambígua, tem se mostrado cada vez mais sujeita a fraudes), não  contempla, por si só a inserção da questão racial no circuito do setor. O projeto também não me parece que tenha condições objetivas de inserir estes artistas em circuito algum.

Tirando a capa de filigranas, convenhamos, o projeto nada tem nada a ver com Arte Negra. Devia ter sido, em vez de premiado, punido com a desclassificação, por causa de sua ardilosa – embora apenas aparente – intenção de iludir.

Parece muito com um expediente esperto de ter acesso a recursos do MinC.

g.A partir do pagamento de cachê mensal de R$ 1000,00 para cada artista oferecer a oportunidade de viver de/para sua arte, ainda que somente por dez meses.

E mais, viram aí? O aspecto sutil que me chamou muito a atenção: Os seis artistas, supostos negros ou pardos, remunerados com R$ 1.000,00 por mês durante 10 meses, consumirão R$ 60.000,00, certo?. Como o prêmio é de R$ 200.000,00, o que se fará com os R$ 140.000,00 restantes? Deduzidas as despesas de praxe, divulgação e manutenção e aluguel de uma casa alugada especialmente para a ‘imersão’, esta grana remunera mais alguém? Quantas pessoas mais? Quanto para cada uma?

O que dizer de tudo isto? Os avaliadores não observaram todos estes suspeitíssimos detalhes? Como um projeto como este ganha nota 100 e é agraciado com um dos prêmios?

Detalhe: Michele Zguiet, a proponente é tecnicamente branca. Estevão Haeser, seu marido (e pelo que entendi da minuta o verdadeiro autor do projeto), contudo é tecnicamente mulato (pelo que entendi na planilha ele é um dos seis “convidados”. Se não for, será contratado.)

Nem sou tolo mais de questionar isto, claro (disse por aí certa ocasião que achava esta regra deste edital estúpida). Considerando-se que quase todo brasileiro tem um antepassado negro – sempre que lhe convém –  os proponentes sob suspeição logo aparecerão com uma avozinha mulata para calar a boca dos venenosos ressentidos.

Mas a pergunta procede: “Quem indicou” o tão impróprio projeto de Michele Zguiet de Carvalho para vencer o Prêmio Funarte de Arte Negra?

Pulga número 08

Um menino fora do eixo

Samir Raoni é entre todos o que tem o currículo mais suspeitoso, pelo menos se considerarmos como perigosas as suas relações com instituições e figuras que recentemente se tornaram execráveis, a vista de muita gente boa por aí.

É que Samir Raoni, pelo que vi na pesquisa, apesar de muito jovem, é um destacado membro do Coletivo Fora do Eixo, de Pablo Capilé. Samir atua no norte do país, com base no Pará e está profundamente ligado ao grupo de midialivristas formado no âmbito do Programa  Cultura Viva do MinC de Juca e Gil, contexto que, podemos começar a ver agora, gerou  organizações muito agressivas no que diz respeito, não só à sua defesa quase cega de certa facção do PT e seu  governo, mas também  pela sua enorme capilaridade e influência junto à juventude mais modernosa e rebelde do país, com tendências e práticas suspeitas, as vezes muito similares ás de coletivos fascistas do século passado.

As tendências ideológicas supostamente representadas pela atuação de Samir no FdE, contudo não têm a menor importância em nosso caso. É tudo posto na conta de nossa ampla liberdade de ação e expressão.

O que conta, o que se deve ressaltar mais firmemente é que sua atuação, digamos assim, artística nos pareceu muito remota, mais voltada para a organização de festivais de rock, gestão de cubo cards e a organização de redes de articulação para políticas públicas em sua região na linha do FdE. Não digo que não haja, mas não encontrei nenhuma relação direta, mesmo remota de Samir Raoni com Arte Negra, propriamente dita, o que torna a sua premiação (com nota máxima, 100, como todos os premiados) um mistério inexplicável.

Seu projeto premiado (um vídeo e uma série de debates a respeito de sua temática), pude confirmar também, não tem mesmo, rigorosamente nada a ver com Arte negra. E mais: O projeto de Samir Raoni, se bem entendi, já está pronto e circulando desde 2012 (vejam aqui neste link  ).

E a pergunta se repete: A que se presta a premiação se o projeto já foi concluído com outros patrocínios anteriores?

Veja também esta mais que elucidativa lista de presença do encontro promovido pelo Fora do Eixo (núcleo duro assinalado) com a ministra petista Martha Suplicy:

A lista de inscritos no I Encontro PAN – Ponto de Articulação Nacional Fora do Eixo só aumenta. Segue embaixo ela atualizada

…53. Maíra Miller Ferrari São Carlos SP Nós Ambiente Fora do Eixo
54. Samir Raoni Belém PA Polifônico
55. Vanessa Sandré Floripa SC
56. Pablo Capilé SP SP Casa Fde SP
57. Marielle Ramires SP SP Casa Fde SP
58. Lenissa Lenza SP SP Casa Fde SP
59. Thiago Dezan SP SP Casa Fde SP
60. Dríade Aguiar SP SP Casa Fde SP
61. Carol Tokuyo SP SP Casa Fde SP
62. Michelle Parron BH MG Casa FdE Bh
63. Vitor Guerra SP SP Casa FdeE SP

Teria sido esta intensa ligação de Samir Raonicom o MinC, o Programa Cultura Vivae o Fora do Eixo, os seus vínculos de militante governista enfim,  a razão mais forte para a sua inclusão entre os agraciados?

Foi o que me ocorreu, fortemente.

(E não deixe de ver o Samir em ação, militando a serviço do Fora do Eixo, no vídeoaqui linkado)  

Com a lupa, olhando o pulgueiro no desfile final

Nos finalmentes (ai meu forèvis) coitadas das minhas já ardidas orelhas!

O modus operandi  teria sido o seguinte: Alguns, a maioria dos projetos deve ter sido avaliada sim, pelo menos folheada, sabe-se lá por quantos ou sobre quais critérios, o que nem cabe discutir aqui, pois estas coisas, são, como disse, muito… subjetivas. Mas o resultado final parece que foi melado sim, descaradamente fraudado. Se foi mesmo e por quem, jamais saberemos.

O problema mais evidente é que parece haver sim na lista final, como vimos, certos projetos com…”Q.I”, selecionados segundo um misterioso critério que excluía todos os outros.

Daí – vejam que doidos! – atribuíram nota máxima (100) a TODOS os 33 agraciados, diluindo a possibilidade de questionamentos sobre o mérito da pertinência de uns em relação aos outros. E notem: o prazo para a impetração de recursos foi claramente proibitivo. O resultado foi sabido – pelo menos por mim – na tarde do dia 3/09 e o prazo para se recorrer se encerrou, a toque de caixa já no dia 05.

Outro problema: A julgar pelo título (único dado que dispus para avaliar a maioria das propostas), alguns projetos já existem (!) ou seja, não são projetos a serem realizados como os dos outros (o que é uma injusta covardia para com a maioria). E pior: Muitos dos projetos vencedores – pasmem – nem de cultura negra são, ou podem ter a condição de negros ou pardos dos proponentes (exigida pelo edital) facilmente questionável.

E a pulga mais enfática, a grande, aquela que pula mais alto: Não dá pra se saber quantos, mas, curiosamente muitos projetos deste Prêmio Funarte de Arte negra têm como traço comum o fato dos proponentes estarem atrelados, ligados diretamente a instancias subalternas do PT (o pior PT) ou à instituições “chapa branca” do movimento negro petista (governista, como as “seppirs”), que teriam sido, arbitrariamente inseridos na cabeça da lista.

O fato é que nesta pesquisa que fiz na lista dos 33 agraciados, apareceram muitos, pelo menos 7 que são comprovadamente ligados, direta ou indiretamente à instancias petistas ou governistas. Claro que estar ligado a um partido político, por si só não é uma atitude ilícita, mas a ocorrência de tantos casos assim num mesmo concurso, denota sim que algo de muito estranho e errado ocorreu, a ponto de produzir esta…”coincidência”.

Presentemente circula por aí no meio da produção cultural negra, uma campanha dirigida ao MinC para que se reserve 40% das verbas do ministério para a cultura negra. Eu mesmo já fui instado a colaborar com a campanha, com estes meus posts enfáticos e cheios de francamentes.

Se for para ensejar mais concursos baseados nos mesmos critérios obscuros e suspeitosos dos concursos “de branco”  (e insisto: Não posso provar que este é o caso) de que servirão estas premiações a nós, os ‘sem padrinhos’, os ‘sem-panela’, os que não se prestam a utilização de ‘jeitinhos’ e arranjos de compadrio?

Estou fora! Não contem mais com o Titio.

Porque deveria colaborar, militar, pessoalmente se continuaremos a ser preteridos como sempre? Se os procedimentos éticos serão iguais ou mesmo piores, do que os, supostamente praticados nos concursos de…”brancos”?

Estou fora!

Cobrar transparência e clareza nos critérios, ao invés de não seguir a maré e não se acomodar às práticas correntes, é uma ética burra, suicida, “sem noção”? Pode ser, mas foi assim que o Grupo Vissungo chegou até aqui, às vésperas dos seus 40 anos de carreira independente que seriam registrados e comemorados (CD e DVD históricos, mais três shows de lançamento) com este prêmio aí que para nós não virá.

Reflitam comigo: Se mesmo depois de quase 40 anos de reconhecidos serviços prestados à cultura negra do Brasil  (no caso do Grupo Vissungo) não somos considerados relevantes nem para um prêmio modesto de 150, 200 mil reais, se somos preteridos por qualquer ‘amigo do amigo’ o que esperar destas instituições do movimento negro oficial, de que adianta malhar neste ferro frio?

E esta constatação – muito refletida pelo Titio antes de torná-la pública – é lastimável porque se confirmada, desmoraliza um processo de mobilização política por direitos civis que se mostrava muito promissor e virtuoso.

Desmoraliza tudo, reivindicações por igualdade racial, cotas, respinga sobre todas as demandas do negro brasileiro – não só a dos artistas – porque nos desmascara a todos, moralmente, nos tornando iguais, tão oportunistas e antiéticos quanto afirmamos que eram…”os brancos”.

Que se embargue logo então este Prêmio Funarte de Arte Negra em nome de nossa vergonha na cara. Que o os negros todos do Brasil abandonem logo, em alguma esquina da vida, esta “chapa branca” governista, este pau de galinheiro de brigas por migalhas caídas de tão podres poderes.

Deixei de ser branco pra ser franco. Pronto, falei.

Spírito Santo

Setembro de 2013

IH!…Será que o Samba funkeou de vez?


Será que o Samba funkeou de vez?

A Cia Editora Por enquanto Eu mesmo Ltda. Rio de Janeiro-Brasil apresenta:

… Ih? Saiu já o livro e nem me avisaram?

… Nada disso galera. Pura viagem, sacanagem (só pra vocês terem uma idéia, a capa fui eu mesmo que fiz, em poucas horinhas de um Photoshop bem básico.)

Capa direta é isto: O tema do livro está na cara:  Do ‘drumer boy’,  garoto batucador de tambor de batalha na  guerra de secessão norte americana ao Tião Miquimba, inventor do surdo de terceira do Samba, existe muita, mas muita história mesmo. Quase 300 páginas de ondas, firulas e babados.

(Ih, rapaz! Engraçado. Me lembrei agora mesmo que na minha infancia em Padre Miguel – se deu pra notar, mesma terra de Tião Miquimba – havia um amigo lá que chamávamos de …Miquimba. Até zoávamos o cara, dizendo:

_ “Não vem não! Se tu me quimba, eu também te quimbo !”

Brincadeira etimológica de suburbanos, supostamente incultos. Ele, o Miquimba meu amigo, ficava pra morrer. É que não sabíamos que ‘Miquimba‘ era uma palavra de verdade, uma palavra africana. Vai entender? Pois não é que me deu um flashback agora?)

Será que o Miquimba da foto (este mesmo herói que, como vocês vão saber em detalhes no livro, inventou o surdo de terceira do Samba) é o mesmo Miquimba da minha infancia? Bem que quando entrevistei o já ‘coroão’ Tião Miquimba para o livro, ele ficou me olhando assim meio de banda, ressabiado, com um meio sorriso sarcástico, como quem diz:

_”Que cara arrogante! Quem ele está pensando que é? Pesquisador é o cacete! Pois ele não é o ‘Deco’, aquele cara da Rua ‘L’? Que porra! O cara nem se alembra mais de mim!”

Caiu a ficha agora! Só pode ser! O meu herói Tião Miquimba esteve ali, pertinho de mim na minha infância e eu posso agora dizer pra ele: Sim. Me lembro de você sim, Miquimba.
Você é um dos meus Caras.

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Pesquisador sortudo, é o que sou. Fazer o que?

Livro eletrizante (embora não passe ainda de pura curtição de velho ansioso).

É que rolou uma história de Kindle, sacam? Editar o livro num código internáutico destes aí e distribuir on line, via amazon.com, penso eu. A proposta é da editora de e.books Nogla Sklar que manifestou vivamente o seu interesse em conhecer o material. Os detalhes são todos novidade para todos nós (‘quem lê tanta notícia?)’. esta história de palmtops kindle, livros on line, etc. e tal, é futurista pra caramba, né não? Quem entende desta história para me explicar?

(Se ninguém explicar, é sinal que a ideia é boa mesmo)

Na minha ‘fuçação’ básica esbarrei numa entrevista da Nogla Sklar para o site Digestivo Cultural’. Sedutora entrevista. Me rendi ao frescor absoluto da ideia, de cara. Oh! Coragem não tem canja de galinha!

É vero. O projeto do livro ‘encantado’ mudou de rota e ficou mais ‘muderno’.

…Reticencias felizes.

(Esta chamada aqui do blog estará aguardando mais conteúdo oriundo desta nova viagem na qual o que será, será.)

Aguardem a notícias.