The Yoruba Diaspora In The Atlantic World by Toyin Falola and Matt D. Childs

•30/11/2016 • Deixe um comentário

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Fonte: The Yoruba Diaspora In The Atlantic World by Toyin Falola and Matt D. Childs

“Jurema, Juremá!”

•20/10/2016 • 1 Comentário

imageJurema, Juremá!”

Um filme de Clementino Júnior

 

<p><a href=”https://vimeo.com/105652622″>JUREMA</a&gt; from <a href=”https://vimeo.com/user6168839″>Cineclube Atl&acirc;ntico Negro</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

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Um filme belo e, principalmente raro, já que o que mais nos diz respeito, o que mais perto do que realmente somos e que, paradoxalmente mais invisível havia se tornado, no filme, enfim, maravilhosamente se revelou.

Umbanda linda!

Isto, que os outros filmes e livros sobre religiões africanas convencionais não mostram, aquela nossa afro-diversidade tão manifesta, nossa Umbanda medicina da alma, muitas vezes anda invisível por conta inclusive de nós mesmos, prisioneiros que viramos do auto engano, da ilusão de sermos, enquanto negros inventados por brancos, aquilo do que nos vestiram e que nos mandaram ser.

Emocionante me reconhecer e lembrar o que para minha mãe e para minha assustada infância suburbana, era a verdadeira e macumbeira África ancestral, a real, a que jamais reconheci nos ritos afro-fake “oficiais” que me atiçaram para ver e que andam, cada vez mais se “oficializando” por aí.

“Pureza africana”…ah…Quem deu a esta gente o direito de decidir o que é ou não é puro, legítimo ou autêntico na alma dos descendentes de africanos do Brasil?

O gosto de chá de jurema – que nunca bebi – me veio a boca, só de ver o que vi

Valeu, Clementino Junior! Um filme de irmão.

Spirito Santo
Outubro 2016

A Mina de Diamantes e os escravos do Sr Vidigal

•13/07/2016 • 4 Comentários

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1868-MG. Mina de Diamantes do Senhor Vidigal no Rio Jequitinhonha

A grande panorâmica mostra o serviço de tiragem do cascalho resultante do processo de extração de diamantes, a esta época ainda realizado totalmente por meio de serviço braçal de centenas de escravos, vistos organizados em turmas, com os tradicionais “caborés” na cabeça.

A imagem (que tive o cuidado de separar em cortes para vocês) mostra detalhadamente toda a organização da mina, inclusive hierárquica, com os grupos controlados por capatazes, coordenadores de turmas, feitores e as turmas separadas segundo trechos determinados das escavações.

Destaque para o Sr Vidigal, o proprietário de tudo e de todos, sozinho em pose arrogante ao centro da imagem e um menino bem novo, provavelmente filho de Vidigal, certamente sendo orientado por um capataz nas artes de ser no futuro o herdeiro dono de tudo e de todos.

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Ao fundo, no entorno do grande buraco, se pode ver alguns miseráveis casebres, provavelmente usados como moradia pelos escravos e paióis de ferramentas.

Mina vidigal 45
Os escravos, majoritariamente oriundos de Angola, notadamente gente de etnia ovimbundo e kimbundo, trouxeram para a região, entre outras memórias caras à nossa história, técnicas ancestrais de mineração de ouro e diamantes (razão mais provável de sua escolha para os trabalhos  forçados nas minas do Brasil).

Trouxeram também uma cultura musical muito rica e original, inestimável por ser genuinamente africana, na qual se destacam os cantos de trabalho e para marcar práticas comunais e funções sociais outras, denominados de forma genérica de vissungos (“Ovisungo“, palavra difusa do idioma mbundo, com o sentido vernacular provável de “repertório“, conjunto de cantos, geralmente de natureza religiosa, raiz provável dos cantos de catupés, das festas de congado e da música específica de tanta outras práticas africanas aqui reconstituídas, espalhadas por todo o sudeste do país.

As conclusões vastas (embora ainda esparsas em certos pontos), da pesquisa que realizo desde a década de 1970 sobre o tema tão crucial à real compreensão deste aspecto de nossa cultura brasileira, têm linhas cabais que já indicam a necessidade de uma coleta de campo em Angola, origem efetiva dessas tradições que nos chegaram íntegras, (embora partidas circunstancialmente ao meio pela travessia do Atlântico), carecem nesta fase do apoio concreto e efetivo de instituições de pesquisa oficiais ou particulares.

Mas tarda a descoberta – cujas razões precisam ser também estudadas – por parte da universidade brasileira do caráter crucial dos estudos profundos desta cultura africana que mais profundamente nos formou, para enfim nos revelarmos como uma sociedade integrada por negros, não brancos e brancos, destinada à prosperidade pela força hoje reprimida de nossa formidável diversidade.

Aguardemos que a ignorância dos que têm o poder de corrigir isto, arrefeça.

Spirito Santo
Julho 2016

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Nota:

“Augusto Riedel (o fotógrafo) cobriu a viagem de suas altezas reais D.Pedro II, mais seus parentes, o Duque de Saxe e seu irmão D. Luís Philippe ao Interior do Brazil no ano 1868. Tratou-se de uma expedição que visitou várias cidades mineiras. Esta fotografia, tirada por Riedel, mostra uma mina no Rio Jequitinhonha, no trajeto de uma viagem que começa em Serro, Minas Gerais e segue para o Atlântico.”

“A Coleção Thereza Christina Maria, da qual estas fotos de Riedel fazem parte, é composta por 21.742 fotografias, reunidas pelo Imperador Pedro II e por ele doadas à Biblioteca Nacional do Brasil.”

 
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